A esperadíssima final da Copa, com as duas equipes que jogaram o melhor futebol nos últimos quatro anos acabou por coroar novamente a Espanha, que já havia vencido a Eurocopa. Se o jogo, por um lado, não foi tão empolgante como esperava-se, é impossível não se render ao ótimo futebol da Fúria, que com muita justiça chegou ao título.
As duas equipes postaram-se durante o Mundial de maneira praticamente idêntica taticamente. O 4-2-3-1, a tática da moda. Em ambas, o "meia central", jogava bem próximo dos volantes, com liberdade para circular pelos lados e encostar nos atacantes. A principal diferença estava na movimentação dos atacantes. Enquanto Van Persie ficava mais preso, fixo à área e fez um Mundial limitado, Villa conseguia cair bem pelos lados abrindo espaços. Foi o artilheiro da Espanha e um dos melhores do Mundial.
(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

Em campo, porém, as duas equipes eram bem diferentes no modo de jogar. E isto ficou ainda mais claro quando as duas se enfrentaram.
A Holanda apostava nos contra-ataques e na bola rápida para Robben, nos lançamentos longos de Sneijder. É um time mais pragmático, mais correto. Que se fechava e marcava muito bem. Abusando, inclusive, das faltas quando necessário. De Jong merecia ter sido expulso ainda no primeiro tempo por chute criminoso em Busquets. A expulsão de Heitinga, na prorrogação, foi fundamental para definir de vez a partida.
Já a Espanha, fez mais uma vez seu jogo de posse de bola e domínio das ações. É um time que marca na frente, que consegue roubar a bola com facilidade e que não a entrega fácil ao adversário. No fim, teve 56% da posse de bola, acertando 76% dos passes.
Neste jogo, porém, o excesso de posse de bola com poucas jogadas incisivas quase custou caro à Espanha. Não fossem as espetaculares defesas de Casillas, quando ficou frente a frente com Robben, na etapa final, o resultado do jogo teria sido diferente. O letal contra-ataque holandes só não funcionou porque faltou frieza para o craque Robben definir.
Na prorrogação, com um jogador a mais, a Espanha acabou dominando de vez o meio-campo até chegar ao gol em boa bola de Fábregas para o ótimo Iniesta marcar mais um gol decisivo em sua carreira. 1 a 0. Espanha, justa campeã do mundo.
Apesar da vitória incontestável e dos quatro anos fantásticos, a Espanha não deve deixar um grande legado. O "modelo a ser seguido" nos próximos anos não é tão simples assim. O 4-2-3-1 pegou e é mesmo o esquema da moda. E da Espanha, deve ficar a marca que não é preciso ter volantes "brucutus" para ter boa marcação. Para jogar como a Fúria, porém, é preciso jogadores de altíssimo nível. E mais do que isto: muito entrosamento. Que o time espanhol só conseguiu por apostar em uma base pronta e de sucesso, formada por Guardiola no Barcelona.



0 comentários:
Postar um comentário