Consciência e eficiência

Depois de alguns anos de ostracismo, sofrendo com a crise financeira e com apostas envelhecidas que não conseguiam render, a Juventus volta a ser protagonista na Itália. Em que pese o excessivo número de empates (14), chama a atenção a campanha invicta até aqui que coloca o time muito perto do Milan na briga pelo Scudetto que não conquista desde 2002-2003 (as conquistas de 2004-05 e 2005-06 foram perdidas devido aos escândalos de arbitragem).

Para chegar à atual condição, a Juve conta com alguns pontos fundamentais. O primeiro, o bom trabalho e identificação de Antônio Conte com o clube e a torcida, que acabou "contaminando" todo o elenco. Depois a consciência dos experientes e fundamentais, dentro de suas limitações físicas, Pirlo e Del Piero. Aliando estes fatores ao ótimo sistema defensivo e à eficiência no ataque, a Juve torna-se imbatível como foi hoje diante do ótimo Napoli.

A vitória justa por 3 a 0 indicou o que aconteceu no jogo. Só um time jogou e foi o dono da casa. No 3-5-2 tradicional, o time não deu espaços para que o Napoli conseguisse exercer o jogo intenso e ofensivo de sempre. Marcação individual nos homens de frente, meio-campo congestionado e posse de bola que deram ao time controle absoluto da partida.

Chama a atenção na Juventus o fato de ser um time que chega pouco à frente. Os dois atacantes são mais de presença do que de movimentação, os laterais raramente vão ao fundo e o trinco de meias também tem características defensivas (embora todos tenham qualidade para jogar e se aproximar do ataque).

De toda forma, com a marcação forte e muita qualidade técnica, a Juve conseguiu controlar o jogo por completo. Faltou na etapa inicial precisão nas finalizações para colocar vantagem no confronto. Eficiência que foi encontrada na etapa final, quando Pirlo passou a arriscar mais assim como Vidal. E Vucinic entrou de vez no jogo.

O primeiro gol saiu mais na sorte que na competência. Bola desviada em Bonucci e gol. Em desvantagem, o Napoli se abriu com Pandev na vaga de Inler. A resposta de Conte foi a reorganização do time com o recuo de Marchisio e um 3-4-1-2 com Vidal mais solto e Cáceres entrando renovado para dar velocidade no escape pela direita. Já com o jogo praticamente após o segundo gol, marcado em ótima jogada individual do meia chileno, entrou em campo Del Piero. Importante fora de campo como símbolo do time, o principal artilheiro da Juventus na história aceita sem maiores problemas ser protagonista nos poucos minutos finais que a idade lhe permite. Pouco depois de entrar, deu o passe para o gol que deu números finais ao jogo, marcado por Quagliarela.

A vitória em um jogo importante dá moral à Juventus na briga pelo título. Dois pontos atrás do Milan, o time não dá sinais de que vai desgarrar. Inteiro e com opções como Del Piero conscientes de sua importância, o time de Conte é muito candidato. Principalmente contra um Milan que tem problemas físicos para superar na reta final.

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