Nova aula tática não fez empáfia desaparecer

Bastou o Santos golear o Bolívar por 8 a 0 na Vila Belmiro e diversos jornalistas e torcedores já previam o confronto contra um dos brasileiros na semifinal. A empáfia brasileira mais uma vez ignorou um bom time estrangeiro. O Vélez, que já havia feito ótima Libertadores em 2011 ficando fora por detalhes (ou por um penalti desperdiçado por Santiago Silva), faz também boa campanha em 2012. Não tem tanto talento individual, mas compensou as perdas com um time ainda mais organizado.

Ricardo Gareca está no Fortín desde 2008. É mais um a desenvolver trabalho sólido na América do Sul. Organiza seu time num 4-4-2 com linhas muito próximas. O Vélez sabe a hora de adiantar o time e marcar no campo adversário. Mas consegue recuar as linhas e bloquear a entrada da área impedindo que o adversário seja perigoso.

4-4-2 em duas linhas do Vélez. Esquema "inglês" permite ao time bloquear espaços e sair em velocidade.
A proximidade, principalmente das duas primeiras linhas, sufoca o adversário quando tem a bola. Ontem, na vitória sobre o Santos, Neymar era marcado quase individualmente por Peruzzi, volante improvisado como lateral direito. Mas quando conseguia escapar do marcador, o santista recebia rápido combate de Cerro ou Cubero, impedindo que desse sequência às jogadas.

Fernández, que já vinha bem desde o ano passado, tornou-se ainda mais protagonista nesta temporada. As principais jogadas do Fortín passam pelos seus pés. A invertida rápida para o lado esquerdo onde Papa (ótimo), Cabral e o rápido Martínez normalmente surpreende os adversários e é por ali que saem as jogadas mais agudas do time.

Ontem, sem o bom Lucas Pratto, Gareca apostou em Obolo, que não marcava há quase 1300 minutos. Mas é artilheiro, sabe se posicionar e tem força física. Foi dele o gol do time que controlou quase toda a partida contra o Santos e só não venceu por uma diferença maior pois temeu sofrer gols.

Na volta, o Vélez deve jogar menos e apostar mais nos contra-ataques. É o seu jogo mais forte, assim como o Boca. Vai ter as duas linhas compactas na entrada da área e permitir ao Santos ter a bola, mas não jogar. A tarefa do Peixe na Vila Belmiro será dura, embora o time brasileiro siga favorito.

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