O brasileiro tem uma mania recorrente e chata. Primeiro, achamos a grama do vizinho sempre mais verde que a nossa. Mas se temos que entrar em um "campeonato de gramas", a nossa tem a obrigação de vencer e a outra já não é tão boa assim. O exemplo clássico é a seleção brasileira. Nos encantamos com a Espanha, Argentina, Holanda. Mas quando enfrentamos qualquer um deles, o mínimo que devemos fazer é atropelar.
Com os clubes também acontece, mesmo que em menor proporção. Ano passado, na final da Libertadores, todos falavam do jogo como se o Cruzeiro já fosse campeão e ignoravam o excelente time do Estudiantes. Este ano, a tendência é que aconteça algo parecido novamente, com o Chivas do México como protagonista. Em 2010, a situação é ainda pior pois o brasileiro (seja Internacional ou São Paulo) entrará em campo já classificado para o Mundial de Clubes.
Mas ontem, na classificação diante da Universidad do Chile, o Chivas mostrou que não disputa a Libertadores apenas por "educação" ao convite. É um time forte, que corrigiu suas deficiências pós-Copa e que vai brigar de igual para igual na decisão. Ontem, num forte e eficiente 4-4-2, o time conseguiu a primeira vitória fora de casa e por consequência, a classificação.
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Até então, o Chivas destacava-se na Libertadores por golear em casa e perder pelo máximo aceitável fora de casa. Foi assim nas duas fases anteriores. Na semifinal, porém, foi diferente. Depois de ficar apenas no empate em casa, fez uma partida taticamente perfeita e matou o adversário no segundo jogo.
O 4-4-2 tinha uma linha de quatro defensores que não passava do meio-campo. Os dois laterais atuavam como zagueiros pelos lados, ficando apenas fixos na marcação. Assim como os volantes. Apenas Mejía tinha um pouco mais de liberdade para chegar ao ataque.
O que não indicasse que a equipe não fosse perigosa. Principalmente pelo lado esquerdo, onde Fabián La Luna fez ótima partida e aproveitava muito bem os espaços deixados por Rodríguez. Vez ou outra, entrava em diagonal, aproveitando os espaços que Omar Bravo (o melhor em campo - e um dos destaques da Libertadores) abria na defesa adversária.
Com seu forte ataque, chegando em velocidade e jogando na direção do gol, o Chivas conseguiu pressionar e aproveitar-se dos espaços deixados pelo adversário para matar a partida com dois gols.
O Chivas, que já se mostrou fortíssimo dentro de casa, agora mostrou uma nova face: o de time mortal jogando nos contra-ataques. É bom os brasileiros se cuidarem. E saber que a final da Libertadores não será apenas formalidade.



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