Para passar a manteiga do lado certo

Após mais uma derrota no Brasileirão (a oitava, em doze jogos), o técnico do Atlético-MG, Vanderley Luxemburgo disse que o problema era que o pão atleticano estava sempre caindo com a manteiga para o lado errado. Uma análise rasa demais para quem errou feio no planejamento para a temporada. Erros que ficaram claros em mais uma derrota para o rival, Cruzeiro.

Como eu esperava, Luxemburgo escalou o Galo no 3-5-2. O treinador sempre gostou de espelhar suas equipes com a do adversário, e era sabido por todos que o Cruzeiro jogaria neste esquema. Independente disto, ao meu ver, o treinador acertou na opção tática. Errou na escolha e no posicionamento dos jogadores.

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Como tem dois laterais com características ofensivas, e defasados na marcação, o 3-5-2 é de fato um bom esquema. Luxemburgo errou feio ao meu ver ao escalar Diego Souza como atacante. Como já disse, Diego Souza, como terceiro homem de meio campo é excepcional. Como atacante, é um jogador comum.

No primeiro tempo, de toda forma, o Galo foi superior ao adversário. Apesar da marcação frouxa no meio-campo, o time tinha velocidade na saída de bola e chegava com facilidade no ataque, principalmente pelo lado esquerdo. Não saiu vencendo pois perdeu boas chances, contou com o azar em algumas e porque faltou um homem dentro da área em outras.

Para a etapa final, Luxemburgo tentou corrigir o erro, mas acabou errando novamente. Sacou um zagueiro (que vinha sendo criticado pela torcida) para colocar Obina. Passou o time para o 4-4-2 e recuou Diego Souza, deixando assim sua equipe:

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A mexida deixou o time muito exposto. A marcação continuou deficiente no meio-campo e o Cruzeiro tinha facilidades para chegar ao gol, principalmente pelo lado direito da defesa. O melhor, talvez, fosse tirar João Pedro ou Ricardinho para a entrada de Obina, recuando Diego Souza e mantendo o esquema que funcionava bem.

A proposta no segundo tempo não funcionou após as subsituições também, porque o time passou a jogar de forma afunilada. Diego Macedo fez falta pelo lado direito, já que João Pedro centralizava demais o jogo e dava espaços nas costas. Mesmo quando teve um jogador a mais, faltou ao Galo abrir o jogo pelas laterais para abrir espaço na fechada defesa adversária.

Os erros de Luxemburgo escancaram os erros no planejamento. Um time ótimo, mas que ainda não tem base, não tem entrosamento e que não se encontrou na temporada. Montado em meio ao Campeonato. Já estamos em agosto, e pelo menos 4 dos contratados estão fora de forma ou machucados.

Só cabe ao Atlético-MG aguardar. Mas basta olhar para o futuro, para se tranquilizar um pouco e saber que a tendência é de crescimento natural. Com todo o elenco à disposição, Luxemburgo pode manter o seguro 3-5-2, mas deixando um meio-campo que possa ter poder de marcação e muita qualidade na saída de bola. Além disso, poderá aproveitar Tardelli mais perto do gol, para que ele possa repetir as ótimas atuações de 2009, que ainda não apareceram este ano.

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