O camaleão de um craque só

Derrotada na primeira partida, jogando em casa, cabia à Inter de Milão uma tarefa dura e histórica. Nunca na Liga dos Campeões, um time havia revertido a vantagem no mata-mata após perder desta forma. A missão tornava-se ainda mais dura por tratar-se do Bayern, bom time, derrotado na última decisão continental pela "mesma" Inter.

Precisando vencer, Leonardo mandou a campo um time ousado, mas com alguns erros óbvios de avaliação. Após perder Zanetti em cima da hora, o treinador escalou um 4-3-3 ofensivo e disposto a pressionar os alemães desde o início.

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Com Sneijder como ponta esquerda e Stankovic organizando o jogo pelo meio, Leonardo deixou seu time torto. Pandev acabava centralizando e encostando em Eto'o, praticamente como um segundo centro-avante e Maicon ficou isolado pelo lado direito.

Mas a pressão inicial, marcando no campo ofensivo, fez com que o time abrisse o placar rapidamente. Antes dos 4 minutos, Eto'o, em impedimento, entrou nas costas de Breno e abriu o placar, deixando o confronto empatado.

Após marcar, no entanto, a Inter viu o adversário adiantar suas linhas e sentiu a pressão. Leonardo foi obrigado a recuar Sneijder para auxiliar na marcação de Lahm e Pandev para marcar Pranjic. Rapidamente, o time voltou ao seu esquema tradicional (4-2-3-1).

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Apesar do recuo, o time tinha problemas óbvios. Thiago Motta (estranhamente invertido com Cambiasso), não conseguia encontrar Robben que saía todo o tempo da direita para o meio. Cambiasso tentava cobrir o buraco deixado pelo volante, e deixava Maicon ainda isolado pela direita.

Além disto, Sneijder ficou isolado pelo lado esquerdo e era facilmente marcado por Luiz Gustavo. Stankovic se perdeu e a Inter não conseguia organizar o jogo e muito menos manter a posse de bola.

Sofrendo com a marcação adiantada dos alemães o time italiano sofreu dois gols (um em falha - outra - de Júlio César, outro em falha de Thiago Motta). Poderia ter sofrido mais dois ou três, se não fosse a sorte ou as falhas de finalização dos alemães. O resultado de 2 a 1 parecia irreversível ao intervalo, mas era bom para a Inter.

E de fato, o resultado seria irreversível. Não fosse a expulsão tola de Van Buyten, logo no início da etapa final. Com um jogador a mais, Leonardo pode fazer alterações, deixar seu time mais ofensivo e ter a bola.

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Com Philippe Coutinho na vaga de Stankovic e Nagatomo no lugar de Chivu, a Inter ganhou força pelo lado esquerdo. Além disto, Sneijder pôde voltar à posição onde rende mais (embora constantemente trocasse de posição com o jogador brasileiro). Pandev pode se reaproximar de Eto'o. Outra mudança importante foi a inversão de lado de Stankovic e Cambiasso, com o argentino encaixando melhor a marcação sobre Robben, que sumiu no jogo.

Ainda assim, a Inter dependeu de Eto'o, para conseguir o resultado. E não fosse o camaronês, ele não viria. Em duas jogadas, o atacante deixou Sneijder e Pandev em condições de marcar. Virada heróica e classificação na base da sorte, do suor e da qualidade de Eto'o.

Experiente e decisivo, Eto'o fez 30 gols na temporada. Participou (marcando ou dando passe) de 13 dos 15 gols da Inter na Champions. Foi o personagem da classificação e é o homem que pode levar a Inter adiante na temporada.

Apesar dele, é difícil imaginar a atual campeã brigando novamente pelo título em 2011. Leonardo tem problemas táticos para resolver e poucas peças para solucioná-los.

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