Futebol não se desaprende

Vanderlei Luxemburgo já foi o melhor técnico do mundo. Hoje, não é o melhor técnico do Brasil. Ronaldinho Gaúcho já foi o melhor jogador do mundo. Hoje, não é o melhor do Brasil. O que não quer dizer que desaprenderam ou que não servem mais para coisa alguma. Com os dois e com a cabeça no lugar, o Flamengo venceu a segunda partida consecutiva e chegou (provisoriamente) ao G-4 do Brasileirão.

Quem diz que o Flamengo é um "amontoado" ou um time desorganizado, está preso a estigmas bobos e não quer enxergar o óbvio. Se o time erra muito e tem dificuldade em boa parte dos jogos, é porque faltam peças e qualidade em alguns setores do time. Taticamente, o Flamengo é um time bem resolvido e que tem crescido a cada partida.

Para o jogo contra o América, Luxemburgo trocou o 3-6-1 do primeiro tempo contra o Atlético-MG pelo 4-3-3. Willians voltou ao meio-campo aumentando a pegada e o trio ofensivo jogou avançado e próximo.
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Nos primeiros minutos da partida, facilitado pela marcação muito recuada dos donos da casa, o Flamengo dominou e fez boa partida. A bola chegava fácil ao campo ofensivo, os laterais tinham liberdade para apoiar e o jogo fluia bem. Ronaldinho abriu o placar em cobrança de falta e se tivesse apertado o time poderia ter ampliado.

Até que o América entrou no jogo e adiantou a marcação. Daí em diante, o Flamengo expôs seus problemas (que não são culpa do treinador). A defesa errou em sequência (inclusive nos dois gols, de bola parada) e o meio-campo não conseguia levar a bola ao ataque. O Flamengo desarmava muito, marcava bem, mas não conseguia acertar o passe que acionaria o trio ofensivo, que desapareceu na partida.

Com o placar adverso, Luxemburgo mexeu. Assim como na goleada contra o Atlético-MG, armou o 4-2-3-1 com a entrada de Negueba. Acertou em cheio e o Flamengo cresceu.

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O 4-2-3-1 do Flamengo funciona muito bem. Os volantes tem ótima capacidade do desarme e os laterais saem muito bem alternadamente para o jogo. Ronaldinho, na meia esquerda, aparece menos mas se movimenta com inteligência se aproximando de Deivid. Thiago Neves e Negueba se movimentam muito, trocando de posição e confundindo a defesa.

O Flamengo empatou com Deivid, que vai recuperando forma e confiança e poderia ter virado. Era superior, embora desse espaço para o América contra-atacar. Até que Leandro Ferreira fez falta boba e foi justamente expulso pelo árbitro.

Com um a mais, Luxemburgo reoxigenou seu time e deu qualidade ao meio-campo. Diego Maurício substituiu o cansado Deivid e Bottinelli ganhou a vaga de Willians.

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O Flamengo se expôs e não poderia ser diferente. Bottinelli deu aproximação com o ataque, qualificou o passe e ainda criou alternativa nos chutes de fora da área contra um adversário que tentou garantir o empate jogando com 10.

Ronaldinho, já cansado, passou para a referência. E não precisou de mais que dois toques na bola, após ótimo passe de Bottinelli, para definir o confronto e assumir a artilharia isolada do Brasileirão. 3 a 2 e vitória justa para o Flamengo.

Ronaldinho pode ser decisivo. Luxemburgo também. Se o Flamengo ainda tem elenco pobre e posições absolutamente carentes, é um time que sabe o que quer e que tem pelo menos dois jogadores acima da média para decidir. É bom deixar os estigmas e preconceitos de lado e começar a ter mais atenção com o rubro-negro carioca.

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