Do Julinho ou do Renato?

A estreia de Julinho Camargo no comando do Grêmio, não saiu conforme o esperado. O time manteve os mesmos problemas dos tempos de Renato Gaúcho e acabou derrotado pelo Cruzeiro por 2 a 0 na Arena do Jacaré.

Embora na entrevista após o jogo, Julinho tenha afirmado que escalou seu time com duas linhas de quatro jogadores, não foi o que aconteceu em Sete Lagoas. Confuso taticamente, o Grêmio pareceu jogar no mesmo 4-3-1-2 com meio-campo em losango dos tempos de Renato Gaúcho.

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No primeiro tempo, o Grêmio não mostrou um esquema definido. Em determinados momentos, até tentava formar duas linhas de quatro, com Rochemback fechando o meio, Leandro recuando pela direita e Escudero compondo o lado esquerdo. Raros momentos.

Na maior parte da etapa inicial, o Grêmio jogava com o losango no meio, com Escudero subindo bastante mas sendo pouco acionado e com o time forçando o jogo pela direita, com Rochemback armando, Mário Fernandes apoiando e Leandro participando ativamente do jogo. Pelo avanço de Escudero, com a bola o esquema parecia um 4-2-3-1.

Os primeiros 15 minutos do Grêmio foram bons. O time chegava bem pelos lados, com constante avanço dos laterais e Leandro levava ampla vantagem sobre Diego Renan. Aos poucos, porém, o Cruzeiro acertou a marcação e bloqueou o jovem gremista, que passou a se preocupar mais em enganar a arbitragem do que em jogar futebol.

Com Leandro bem marcado, Escudero pouco acionado e Marquinhos em noite apagadíssima, o Grêmio não conseguia articular. O jogo passava muito por Fábio Rochemback, sem a menor intimidade com a função. O primeiro gol do Cruzeiro, marcado por Montillo, desarticulou ainda mais os gaúchos, que passaram a apostar nas bolas longas para Leandro, sem sucesso.

Na etapa final, com o gol de Montillo logo no início em falha coletiva e grotesca de Rochemback e Saimon, Julinho foi obrigado a abrir seu time. O jovem Pessalli e o estreante Miralles entraram no time.
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O Grêmio assumiu de vez o 4-2-3-1, que variava para o 4-3-3 com o recuo de Pessalli mas que em determinados momentos parecia um 4-2-4, com a chegada dos meias ao ataque. Mas o time seguia com problemas de articulação e raramente ameaçou o gol de Fábio.

O Grêmio não jogou bem e a derrota foi justa. Impossível colocar na conta de Julinho Camargo, que teve pouco tempo de trabalho. Ficou claro que a idéia do técnico era uma e o time em campo foi outra(s). Quem joga em muitos esquemas, não joga em nenhum.

Além dos problemas táticos, há de se destacar a atuação ruim do Grêmio individualmente. A dupla de zaga esteve insegura, Neuton errou demais, Marquinhos não apareceu, Leandro só caiu e André Lima foi peça nula.

O Grêmio tem potencial e vai crescer. Cresceria com Renato Gaúcho, e vai crescer com Julinho. Mas vai exigir tempo e trabalho. Muito trabalho.

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