Os 7 gols marcados contra uma impotente Coreia do Norte estabeleceram um recorde e deixaram uma falsa impressão. A de que Portugal poderia brilhar e assustar jogando de maneira ofensiva. Porém, nos outros 3 jogos que a equipe fez na África do Sul, ficou a demonstração que já vinha desde antes da Copa: de que o forte do time é a defesa.
Ao todo, foram 8 jogos sem sofrer gols. 4 sofridos, nos últimos 23 jogados. As mudanças começaram depois da goleada sofrida para o Brasil. Portugal passou a privilegiar a defesa, seja no 4-1-4-1, como foi contra o Brasil, ou no pouco ousado 4-3-2-1 da partida de despedida contra a Espanha:
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A clara demonstração com a preocupação defensiva veio ainda na escalação. O zagueiro Ricardo Costa foi escalado na lateral direita, justamente para marcar David Villa, o mais perigoso jogador do time adversário.
Além de uma defesa segura (de onde saíram os destaques individuais portugueses na Copa), o time tinha três volantes dispostos a congestionar a entrada da área, mesmo que tivessem liberdade para sair quando o time tivesse a bola.
E os dois meias não eram tão livres assim. Simão e até mesmo Cristiano Ronaldo, tinham a obrigação tática de acompanhar as descidas do lateral adversário.
Talvez tenha sido este um dos motivos para o fracasso ofensivo de Portugal. A equipe que já tinha perdido Nani, sacrificou Cristiano Ronaldo deixando-o longe do gol adversário. Basta notar que a melhor partida do jogador foi contra o Brasil, quando jogou no comando do ataque (mesmo isolado).
Aliás, acho injusto dizer que ele não fez um grande Mundial. Se foi uma grande decepção, foi muito mais pela falta de companheiros ofensivos e pelo sistema tático do que por seu futebol.
Portugal se despede de mais uma Copa nas oitavas. Poderia chegar mais longe, se não tivesse adversários tão duros pela frente. Costa do Marfim, Brasil e Espanha exigiram muito de um time que tinha pouco a dar senão sua defesa em ótima fase.
Cristiano Ronaldo deve pagar a conta. Mas os portugueses precisam é de mais gente para fazer algo diferente com e como ele.



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