Suas idéias não correspondem aos fatos

No discurso, Falcão não poderia ir melhor em seu início no Internacional. Falou em futebol alegre e diversão. Mencionou a Laranja Mecânica, a seleção de 1982, o Barcelona de Guardiola. Música para os ouvidos de quem criticava o modelo competitivo e carrancudo de Celso Roth.

Na prática, o que se vê não passa perto do que o novo técnico Colorado diz. Pelo menos foi assim na vitória por 2 a 0 sobre o Emelec (e pelo que vi e li, também na estréia do técnico, no Campeonato Gaúcho). No 4-4-2 em linha, típico de times ingleses, o Inter do ex-comentarista da Globo é um time ainda muito preso e longe de encantar.

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O 4-4-2, conforme proposto por Falcão, precisa de alguns pontos fundamentais para funcionar bem.

Os wingers (meias abertos pelos lados), precisam ser velozes e incisivos. Bons no drible e com boa chegada ao ataque. Não é o caso de Andrezinho, muito menos de D'Alessandro, jogador de cadência e que tende a centralizar o jogo. Aliás, não existe no elenco Colorado jogadores com estas características (quem mais se aproxima e Zé Roberto, embora falte ao jogador a capacidade de recomposição defensiva, também fundamental para o esquema fluir bem).

Já pelo meio, pelo menos um dos centrais precisa ter velocidade e boa chegada ao ataque, para fazer o famoso "box to box", jogador que joga de uma intermediária à outra, ajudando na defesa e no ataque e organizando a equipe. No Inter de Falcão, Bolatti e Guiñazu são volantes (e não meia centrais). Oscar poderia fazer esta função, embora precisasse se adaptar para passar a defender melhor.

Com Falcão e seu "discurso ofensivo", o Inter melhorou a defesa. Os laterais ficam postados e vão pouco ao ataque. Os volantes protegem bem os zagueiros. E os dois meias recompõe sem a bola para ajudar na marcação.

Com os jogadores que tem à disposição, acho pouco provável que este esquema funcione. Faltará chegada ao ataque, aproximação pelos lados e velocidade. O primeiro passo para ser um bom técnico é adaptar seu "estilo preferido" aos jogadores que dispõe (e não tentar fazer o contrário). Este me parece o primeiro grande desafio de Falcão.

E embora acredite que o 4-4-2 em linha acabará por tornar-se um 4-2-3-1 no Colorado com o retorno de Oscar, segue uma dica para o treinador. Com o que tem, é possível montar algo leve, ofensivo e ousado dentro do "modelo Barcelona", citado por ele mesmo.

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Para funcionar assim, porém, Oscar e D'Alessandro precisariam ajudar na marcação. Com Celso Roth, isto seria proibido. Mas se tratando do "queridinho"...

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