A derrota em casa, as vaias da torcida, a pressão sobre Abel Braga mesmo ainda no início do trabalho. Nada disto foi injusto ou por acaso no sábado. Tragédias táticas e erros graves que culminaram numa atuação abaixo da crítica do Fluminense, derrotado no minuto final pelo Bahia por 1 a 0.
Abel Braga já aplicou no Flu seu esquema preferido: o 3-5-2 era visível e claro desde os minutos iniciais. Edinho fazia a sobra na zaga, os alas tinham liberdade e o time tentava ter força no meio-campo com Valência e Souza. Não funcionou porque Carlos Alberto começou jogando solto no Bahia e Abel optou por destacar Valência para fazer marcação individual do meia, que jogava muito perto da área do Fluminense. Resultado: o time teve praticamente 4 zagueiros e só Souza no meio-campo.
O excesso de setas ao redor de Souza não é exagero. O meia foi obrigado a correr por um batalhão no meio-campo do Flu. Era ele o responsável pela marcação aos volantes do Bahia quando iam ao ataque, pela cobertura aos laterais, pela saída de bola, para fazer aproximação aos laterais na transição ofensiva e também para se aproximar de Conca. O meio-campo do Flu era exército de um homem só.
O que se viu no primeiro tempo foi um time preso, que errava passes demais e que tinha os jogadores distantes uns dos outros. Souza errou muito, mas não pode ser culpado pelo gigante abandono que sentia em campo. Ciro não contribuiu com movimentação, mas é verdade que ele e Fred não receberam bolas. Conca acabou tornando-se figura apagada e os alas presas fáceis para os alas do Bahia.
No segundo tempo, Abel optou por Marquinhos na vaga de Carlinhos. O time melhorou, mas muito pouco. O mais correto, seria Marquinhos no lugar de Ciro, para povoar o meio-campo e facilitar a transição.
Para piorar, na reta final Abel trocou Conca pelo jovem atacante Matheus Carvalho. A bagunça ficou ainda maior. A bola seguiu sem chegar o time se desorganizou de vez e na ânsia por marcar de qualquer jeito, foi surpreendido no contra-ataque com o justo golpe do Bahia.
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Muitos técnicos dizem não gostar do 3-5-2 por deixar o time preso. No Fluminense, ficou claro. O adiantamento de Valência ou a troca de um atacante por mais um jogador no meio-campo (num 3-6-1) podem ajudar Abel. Fato é que Souza ou qualquer outro jogador, precisará de companhia para que o Fluminense possa caminhar para o futebol que merece e tem potencial.




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